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HERANÇA CANIBAL é o novo longa-metragem do diretor Fernando Sanches, produzido pela Sinestesia Filmes, que se debruça sobre temas urgentes e profundamente atuais, como a adultização e a sexualização infantil, o poder da mídia na formação de imaginários coletivos e a ausência de escrúpulos das elites na manutenção de seus privilégios. Dialogando com recentes casos amplamente divulgados envolvendo abuso, exploração e práticas extremas dentro da classe dominante, o filme propõe uma reflexão perturbadora sobre como violência, silêncio e impunidade se perpetuam através das gerações.
A narrativa estabelece um paralelo entre os programas infantis da televisão dos anos 1980 e a lógica contemporânea das redes sociais, evidenciando como mecanismos de exposição, exploração e normalização do excesso atravessam décadas sob novas roupagens. Em Herança Canibal, o terror emerge não apenas do sobrenatural, mas de estruturas sociais que transformam abuso em espetáculo e trauma em herança.
A sinopse acompanha Jorge, um homem de meia-idade recém-separado, filho de um famoso apresentador de programas infantis dos anos 1980 que morreu sozinho na antiga casa da família. Ao retornar a esse espaço carregado de memórias e silêncios, Jorge é forçado a confrontar segredos obscuros ligados ao legado paterno. Sua filha Manu, uma jovem vegana de 19 anos, torna-se peça central nesse jogo macabro em que passado e presente colidem, revelando feridas profundas que se recusam a cicatrizar.
Misturando terror visceral, humor ácido e violência gráfica, o filme utiliza a metáfora de uma família assombrada por uma maldição para discutir temas como abuso, herança moral, patriarcado e a naturalização da violência dentro de estruturas familiares e sociais. O horror, aqui, não é um evento isolado, mas um processo contínuo de transmissão.
“O terror é um gênero que permite tocar em assuntos delicados de forma simbólica, mas extremamente contundente. Vivi minha infância nos anos 80 e, olhando hoje, é impossível não reconhecer o quanto muitos daqueles programas eram atravessados por comportamentos que hoje consideramos inaceitáveis. O que vemos nas redes sociais atualmente é, em muitos aspectos, um desdobramento direto daquele período. Esse choque entre gerações é o coração do filme”, comenta o diretor.
Este é o terceiro longa-metragem de Fernando Sanches, realizado de forma totalmente independente em apenas cinco diárias de filmagem. A produção ocorreu quase inteiramente dentro de uma única casa e utilizou um iPhone 16 Pro Max como câmera principal. A escolha técnica dialoga com a proposta do projeto: agilidade, intimidade e um olhar cru sobre os personagens. “Fazer cinema no Brasil é um desafio constante. Optar pelo celular foi uma decisão estética e prática. Fizemos diversos testes para garantir a manutenção da linguagem cinematográfica e conseguimos filmar cerca de 20 páginas de roteiro por dia, algo fundamental para a viabilidade do projeto”, explica o diretor.
O elenco reúne atores experientes como Ricardo Gelli, Nicole Cordery e Antoniela Canto, ao lado de novos talentos que trazem frescor à narrativa, entre eles Ana Herman, Fabio Acorsi, Nicolle Albiero, Camila Lemes, Thays Cabral, Fernando Rios, Nicole Polsaque e o ator coreano Boni Tao. O filme conta ainda com a participação especial de Dane Taranha, radialista e pesquisadora do cinema de terror.
A equipe técnica inclui Melina Schleder no figurino, Rafaela Figueiredo na maquiagem de efeitos especiais, Lou Schmidt na trilha sonora original, Johnny Klein na direção de fotografia — em seu primeiro longa-metragem — e o colorista sênior Marco Oliveira. O projeto também contou com a colaboração de jovens estudantes de cinema, reforçando o caráter formativo e coletivo da produção.
Herança Canibal reafirma o cinema de Fernando Sanches como inquieto, provocador e politicamente atento, capaz de dialogar com questões centrais da sociedade contemporânea enquanto revisita e subverte os códigos clássicos do cinema de gênero.
O filme encontra-se atualmente em fase de pós-produção e não possui data de estreia definida. A estratégia prevê circulação por festivais nacionais e internacionais antes de seu lançamento comercial em salas de cinema e plataformas de streaming.